Apesar de todos os avanços tecnólogicos atuais, livros resiste e se mantém uma ferramenta prática e eficiente para o registro de ideias informações, estudos e todas formas possíveis de pensamentos da humanidade. A forma atual dos livros existe graças ao Alemão Johann Gutenberg (1937-1468) que em 1442 imprimiu o primeiro exemplar em uma prensa e que me 1448 fundou, em sociedade com JOhann Fust, a " Fabrica de Livros". O trabalho mais conhecido foi a impressão da Bíblica. Antes da iniciativa de Gutenberg, os livros eram feitos a mão - tornando-os artigo de luxo, acessíveis somente a nobreza e ao clero. O livro é sempre atual e moderno. Não precisa de sinal nem tomada para funcionar. Quem lê ganha amplitude em sua vida. O livro pode ser levado para qualquer lugar ler é saber
" Meu nome
é Luiz Gonzaga, não sei se sou fraco ou forte, só sei que, graças a Deus, té
pra nascer tive sorte, apois nasci em Pernambuco, o famoso Leão do Norte.
Nas terras do novo Exu, da fazenda Caiçara, em novecentos e doze, viu o mundo a
minha cara.
No dia de Santa Luzia, por isso é que sou Luiz, no mês que Cristo nasceu, por
isso é que sou feliz."
O INICIO DA CARREIRA
Gonzaga
nasceu em 13 de Dezembro de 1912, na Fazenda Caiçara, em Exu, distante 603 Km
da Capital Pernambucana. Segundo dos nove filhos da união do casal Januário
José dos Santos e Ana Batista de Jesus(Santana), veio ao mundo dividido entre a
enxada e a sanfona. Foi observando seupaianimando
bailes e consertando velhas sanfonas, que lhe desperta a curiosidade por tal
instrumento. Certa vez seu pai encontrava-se na roça e sua mãe na beira do rio,
o mesmo pegou uma velha sanfona e começou a tocar. Santana, que não queria que
o filho trilhasse o mesmo caminho do pai, dava-lhe puxões de orelha que nada
adiantavam. Luiz seguia em frente, acompanhando seu pai em diversos forrós,
revezando-se com ele na sanfona e ganhando seus primeiros trocados. Um belo dia
Januário foi pego de surpresa quando o Srº Miguelzinho, dono de um forró, pediu
para que Gonzaga tocasse, este havia acordado com um outro tocador que não
apareceu. A salvação foi convidar o então menino Gonzaga que já mostrara suas
habilidades no mesmo terreiro, sem a anuência de seus pais. Fez muito sucesso. Epor aquelas "bandas" era conhecido por
Luiz de Januário. Assim o Forró rolou solto ao longo da noite, Gonzaga
sentia-se feliz, empolgado, era a primeira vez que tocava com o consentimento
da mãe. Com o passar da noite, começou a sentir seus olhos arderem, a cabeça
pesar, foi então que pediu para deitar na rede e de tão menino que era, ainda
fez xixi enquanto dormia. Daí então passou a acompanhar Januário em festas de
mais responsabilidades, revezavam-se entre toques e cochilos. Santana a
princípio relutava, mas deixou-se levar pelos dois mil réis que o principiante
tocador ganhava em suas "empreitadas". Assim cresceu Gonzaga:
ajudando o pai na roça e na sanfona, acompanhando Santana às feiras do Exu,
fazendo pequenos serviços para os fazendeiros da região, sendo protegido pelo
Cel. Manuel Aires de Alencar, homem bondoso e respeitado até por seus inimigos.
Gonzaga era bem tratado pelos Aires de Alencar, tanto que suas primeiras
escritas e leiturasforam
ensinamentos das filhas do Coronel.
Dona Santana e Seu Januário pais de Luis Gonzaga.
A PRIMEIRA SANFONA
Foi o própio Coronel Aires quem realizou o grande sonho de Go
nzaga: possuir sua primeira sanfona. Tal instrumento custava a importância do cento e vinte mil´reis. Gonzaga tinha só a metade. a outra o próprio Coronel adiantou. quantia esta paga mais tarde fruto do seu trabalho de sanfoneiro. O primeiro dinheiro ganho com a nova sanfona foi no casamento de Seu Dezinho, na Ipaueira, onde ganhou vinte mil réis. Tal convite veira aumentar sua fama, começa ali a ser um respeitado sanfoneiro na região.
O PRIMEIRO AMOR
Casamento? Gonzaga só pensava nisso. Comprou até aliança. Queria casar com Nazinha. filha do seu Raimundo Milfont. um importante da cidade. O pai da moça ao tomar conhecimento das intenções do aprendiz de sanfoneiro. não permitiu o namoro. " Um diabo que não trabalha, não tem roça, não te nada só vive puxando fole". Gonzaga não hesitou , indignado, comprou uma peixeira, tomou umas truacas( cachaça), quis brigar brigar, quis matar, mas acabou levando outra surra de Dona Santana sua mãe. Dessa vez fugiu triste para o mato, mas com uma idéia fixa na cabeça : entrar no Exército.
GONZAGÃO GANHA O MUNDO
Dizendo
que ia a uma festa deixou a terra natal rumo ao Crato, no Ceará, cidade maior e
mais próspera, onde vendeu a sanfona e pegou o trem para Fortaleza,
alistando-se em seguida. Com a Revolução de 1930, o batalhão de Gonzaga
percorreu muitos Estados até chegar à cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Ali, conheceu outro sanfoneiro, Domingos Ambrósio, o grande amigo que lhe
ensinara os ritmos mais populares do Sul: valsas, fados, tangos, sambas.
Gonzaga tirou de letra. Em 1939 deu baixa no Exército e seguiu para São Paulo e
em seguida para o Rio de Janeiro. Passou então, a apresentar-se em bares da
zona do meretrício carioca, nos cabarés da Lapa e em programasde
calouros, sempre tocando músicas estrangeiras. Em uma dessas apresentações, um
grupo de estudantes cearenses chamou-lhe a atenção para o erro que estava
cometendo: por que não tocava músicas de sua terra, as que Januário lhe
ensinara? Luiz seguiu o conselho e passou a tocar e compor músicas do Sertão
Nordestino. Foi no programa do Ary Barroso que Gonzaga recebera calorosos
aplausos pela execução do Vira e Mexe, música de sua autoria, proporcionando ao
até então desconhecido Gonzaga o seu primeiro contrato pela Rádio Nacional, no
Rio de Janeiro.
GONZAGA E SEUS AMORES
Na solidão da cidade grande, distante de sua familia e de seu pé-de-serra, Gonzaga não dispunha de ninguém que dele cuidasse. Apesar de estar moando com seu irmão Zé, demostrava vontade em construir seu próprio lugar , sua própia familia. Teve diversos amores o mais conhecido foi com a corista carioca Odaléia Guedes, em meados do de 1945, tendo-a conhecida já grávida, assumindo e registrando seu filho Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior. - Gonzaguinha. Apesar de ser bastante exigente Gonzaga finalmente encontra o que procurava, Em 1948 conhece a pernambucana Helena Cavalcanti, tornando-a sua secretária particular e mais tarde sua companheira. Tal união estendeu-se até perto de sua morte. Não tiveram filhos, pois era estéril.
O SUCESSO
O apogeu do Baião perpassou a segunda metade da década de 40
até a primeira metade da década de 50, época na qual Gonzaga consolida-se como
um dos artistas mais populares em todo território nacional. Tal sucesso é
devido principalmente à genialidademusicalda
"Asa Branca" (composição dele com Humberto Teixeira), um hino que
narra toda trajetória do sofrido imigrante nordestino.
Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei aDeus do céu , ai
por que tmaanha judiação.
Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira
A partir de 1953 Gonzaga passou a apresentar-se trajado com roupas tipicas do Sertão Nordestino: chapéu ( inspirado no famoso cangaceiro Virgulino Ferreira, O Lampião, de quem era admirador), gibão e outras características da indumentária do vaqueiro nordestino. Alia-se a esta imagem a presença de sua inconfundível sanfona branca - A Sanfona do Povo. Com o surgimento de novos padrões da música popular brasileira, o apogeu do Baião começa a apresentar sinais de declínio, apesar disso, Gonzaga não cai no esquecimento,pleo menos para o público do interior, princiopalmente no Nordeste. Todavia foi o próprio movimento musical juvenil da Década de 60 - notadamente Gilberto Gil e Caetano Veloso, este último e depois e depois Gonzaguinha regravando ambos o sucesso Asa Branca, responsáveis pelo ressurgimento do nome Gonzaga no cenário musical do país. Em março de 1972 em show realizado no Teatro Tereza Rachel, no Rio de Jnaeiro, marca o reparecimento de Gonzaga para as platéias urbanas. Nessa época retorna as paradas de sucesso como " Ovo de Cordona" cuja autoria é do nordestino Severino Ramos.
A VOLTA PRA CASA
Após longo período de atividade profissional, cerca de 35 anos, é chegada a hora de retornar a sua terra natal. Em Exú dá inicio a construção do tão sonhado Museu do Gonzagão, localizado às margens da BR-122, dentro Parque Aza Branca (Escrevia desta forma por pur asuperstição, embora soubesse do erro ortográfico). Lá se encontra o maior acervo de peças pertecentes ao Rei do Baião: suas principais sanfonas, inclusive a que tocou para o Papa em Fortaleza: sias vestimentas: seus discos de ouro: troféus: diplomas; titulos; fotos e presentes a ele ofertados ao longo da sua brilhante carreira. Além do Museu , o Parque abriga também o Mausoléu da família, um grande palco de shows e a casa grande de onde Gonzaga observava a sua pequena Exú.
Últimos anos, morte e legado
Luiz Gonzaga sofreu de osteoporose por anos. Morreu vítima de parada cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Foi velado em Juazeiro do Norte (a contragosto de Gonzaguinha, que pediu que o corpo fosse levado o mais rápido possível para Exu, irritando várias pessoas que iriam ao velório e e posteriormente sepultado em seu município natal.
Em 2012, foi tema do carnaval da GRESUnidos da Tijuca, com o enredo "O Dia em Que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão", fazendo com que a escola ganhasse o carnaval carioca deste respectivo ano.
Ana Krepp da Revista da Cultura escreveu: "O rei do baião pode ser também considerado o primeiro rei do pop no Brasil. Pop, aqui, empregado em seu sentido original: o de popular. De 1946 a 1955, foi o artista que mais vendeu discos no Brasil, somando quase 200 gravados. 'Comparo Gonzagão a Michael Jackson. Ele desenhava as próprias roupas e inventava os passos que fazia no palco com os músicos', ilustra [o cineasta] Breno [Silveira, diretor de Gonzaga — De pai para filho]. Foi o cantor e músico também o primeiro a fazer uma turnê pelo Brasil. Antes dele, os artistas não saíam do eixo Rio-SP. Gonzagão gostava mesmo era do showbizz: viajar, fazer shows e tocar para plateias do interior."
Em 2012, o filme de Breno SilveiraGonzaga, De Pai Pra Filho, narrando a relação conturbada de Luiz com o filho Gonzaguinha, em três semanas de exibição já alcançara a marca de 1 milhão de espectadores.
Luiz Gonzaga: patrimônio vivo na memória do povo brasileiro.
LUIZ GONZAGA - O REI DO BAIÃO
Autor:. Anderson Silva Poeta
Hoje acordei saudoso
Do nobre Rei do Baião
Que tanto alegrou o povo
Da cidade e do Sertão Luiz Gonzaga é o seu nome E o apelido é Gonzagão
Gonzagão nobre poeta
Da cultura popular
No Brasil de Norte a Sul
Fez sua estrela brilhar
Cantando Xote e Baião Fez a sanfona falar
Na fazenda Caiçara
Nasceu o Rei do Baião
Cresceu tocando zabumba
Mais tarde acordeão
E pelo país inteiro
Mostrou a dor do Sertão
Numa sala de reboco
Dançou com o seu benzinho
Viu Asa Branca voar
Partindo triste do ninho
Mostrou o flagelo da seca
E dançou Xote de mansinho
Por um amor proibido Luiz Gonzaga apanhou
Revoltado com os pais
O pé na estrada botou
E sem saber o que fazer No exército se alistou
O "cabra da peste" Gonzaga
Nordestino arretado
Viajou pelo Brasil
Ainda como soldado
Mas no Rio de Janeiro O "cabra" ficou encantado
Pediu dispensa da farda
E na zona foi tocar
Solando acordeão
Foi tentando se firmar
Tocando samba e choro
Não saia do lugar
Mas como um soldado bravo Luiz Gonzaga insistiu E num programa de calouros Despontou para o Brasil Quando a platéia de pé Empolgada lhe aplaudiu
Aos poucos Luiz Gonzaga
Foi mostrando a Nação Com talento e humildade
Como se canta Baião
Conquistou ricos e pobres
Na cidade e no sertão
Cantou com desenvoltura
Toada, xaxado e xote Aboio, chamego e baião No sudeste, sul e norte
O fole da sua sanfona Somente calou-se com a morte
Filho de violonista, Paulinho da Viola cresceu num
ambiente musical. Sua infância em Botafogo, bairro tradicional da zona sul do
Rio de Janeiro - onde nasceu em 12 de novembro de 1942 - foi regada por muita
música e histórias.
Naquela época, não havia muitas opções de brinquedos industriais para as
crianças de classe média baixa, Paulinho e seus amigos tinham que usar a
imaginação para se divertir. O jogo de botão era feito de coco, a bola de
futebol era feita de meia e quando a rádio-patrulha não estava por perto a
garotada jogava no meio da rua Pinheiro Guimarães improvisando um campo,
prática impensável nos dias de hoje devido ao grande movimento de automóveis.
Na casa onde morava, nessa mesma rua, viviam seus pais, suas avós, seu irmão e
sua madrinha. Uma casa pequena e simples, até hoje de pé, situada numa vila
como tantas outras do bairro.
A história musical de Paulinho começa com seu pai – Benedicto Cesar Ramos de
Faria – violonista integrante desde a primeira formação do lendário grupo de
choro Época de Ouro, considerado o maior grupo de choro da história, ainda em
atividade. Cesar tocava no grupo mais por vocação e prazer do que por
necessidade. Para manter a família, trabalhava como funcionário da Justiça
Federal. Músicos como Cesar, mais do que nunca, estavam liberados de modismos e
exigências do mercado, faziam música por prazer e vocação.
O jovem Paulinho não perdia as oportunidades de acompanhar o pai e desse modo
presenciou importantes reuniões musicais, algumas em sua própria casa. Nesses
encontros, viu tocar músicos como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Tia Amélia,
Canhoto da Paraíba e muitos outros. Em pouco tempo já tentava os primeiros
acordes no violão do pai.
Ainda jovem, por diversas vezes, foi por conta própria às reuniões promovidas
por Jacob do Bandolim, o maior virtuose do instrumento no país, lá ficava
atento aos encontros musicais e as histórias do grande mestre. Mesmo com toda
essa experiência, a profissão de músico era algo que Paulinho não imaginava
estar no seu caminho, já que até grandes ícones da música brasileira como o
próprio Jacob não viviam exclusivamente de sua arte.
Além de manter contato com o mundo do choro, na sua juventude Paulinho
freqüentava a casa de sua tia Trindade no bairro de Vila Valqueire, no subúrbio
da cidade. Lá, brincou diversos carnavais, uma experiência marcante para sua
formação como sambista.
As escolas e os blocos carnavalescos representavam geograficamente cada região
da cidade. Paulinho criou junto com seus amigos o bloco Foliões da Rua Anália
Franco, para representar a rua onde morava sua tia. A escola de samba União de
Jacarepaguá, localizada perto dali, estava crescendo e convidou os jovens
foliões para integrar o seu conjunto. Foi o primeiro contato de Paulinho com
uma escola de samba. Logo na quadra desta escola, Paulinho apresentou um de
seus primeiros sambas, chamado “Pode ser Ilusão”. Ilusão não era, começava sua
história como sambista.
Logo após completar 19 anos, Paulinho consegue seu primeiro emprego numa
agência bancária, no centro do Rio. Lá viveria um encontro que o levaria a um
outro universo e mudaria sua vida.
Sentado à sua mesa de trabalho, no início do ano de 1964, Paulinho vê alguém
ser atendido por outro funcionário e nota que já o conhece de algum lugar. Num
impulso incomum para um jovem tão tímido, aproxima-se e puxa assunto. Acabaram
concordando que já se conheciam da casa de Jacob, numa daquelas reuniões de
choro. O poeta Hermínio Bello de Carvalho, então reconhecido, convida Paulinho
para visitá-lo em seu apartamento no Catete. Na casa de Hermínio, Paulinho tem
a oportunidade de ouvir, pela primeira vez, através de gravações, sambas de
compositores como Zé Ketti, Elton Medeiros, Anescar do Salgueiro, Carlos
Cachaça, Cartola e Nelson Cavaquinho. Depois arriscou mostrar alguns dos seus.
Logo surgiram as primeiras parcerias do jovem compositor com o jovem poeta -
mais precisamente duas: Duvide-o-dó, gravada por Isaurinha Garcia anos depois e
regravada recentemente no disco Sinal Aberto, com Toquinho; a outra, uma valsa
chamada Valsa da Solidão, gravada por Elizete Cardoso em um disco produzido por
Hermínio não comercializado.
Dessa amizade com Hermínio nasce uma longa parceria e também o convite para
conhecer o Zicartola, um restaurante do sambista Cartola e sua mulher, dona
Zica, localizado na tradicional rua da Carioca, onde artistas, jornalistas,
intelectuais e outras pessoas se reuniam para ouvir Cartola, Zé Ketti, Elton
Medeiros entre outros. Neste restaurante, Paulinho começou a se apresentar
tocando composições suas e de outros autores. Um dia, Cartola se aproxima dele
e diz: “Paulo, você está vindo aqui, usando seu tempo para tocar e não esta
ganhando nada. Tome aqui um dinheiro pra “passagem”. Era um pagamento,
sutilmente colocado por Cartola. Foi o primeiro pagamento que Paulinho recebeu
por sua música, justo das mãos de Cartola. Pode-se dizer então, que Cartola o
profissionalizou.
Incentivado por Zé Ketti, Paulinho começou a compor mais e a pensar em mostrar
seus sambas para possíveis intérpretes. Junto com Oscar Bigode, o próprio Zé
Ketti, Anescar do Salgueiro, Nelson Sargento, Elton Medeiros e Jair do
Cavaquinho, Paulinho deixou alguns sambas registrados numa gravadora da época,
a Musidisc, com a esperança de que algum intérprete pudesse gravá-los. Não
demorou muito e por sugestão de Luís Bittencourt, diretor musical da casa, eles
formaram o grupo A Voz do Morro, gravando seus sambas no primeiro disco do
grupo, Roda de samba de 1965. Durante a gravação deste disco, um funcionário da
gravadora perguntou a cada um dos integrantes do grupo pelos seus nomes, na sua
vez Paulinho responde: “Paulo César”. E o tal funcionário: “Isto não é nome de
sambista”. Posteriormente, Zé Ketti leva o fato para Sérgio Cabral que
transforma a história em nota publicada num jornal com a solução do problema.
Nascia Paulinho da Viola.
O sucesso do conjunto A voz do Morro rendeu mais dois discos. O segundo, Roda
de Samba volume 2, foi lançado no mesmo ano de 1965 e o terceiro, Conjunto A
Voz do Morro – Os Sambistas, foi lançado no ano seguinte.
Ainda no ano de 1965, Elizete Cardoso, uma das maiores cantoras do país, gravou
“Minhas Madrugadas”, de Paulinho e Candeia, no disco Elizete Sobe o Morro.
Paulinho acompanhou a gravação com o seu jeito típico de tocar violão e Elton
Medeiros se encarregou de usar sua famosa caixa-de-fósforos. O jeito de
Paulinho tocar naquela gravação é característico de um momento do jovem
sambista. Influenciado pelo jeito de seu pai tocar nos regionais e também pelo
ritmo empregado por sambistas como Nelson Cavaquinho, surge uma “batida” única
que ele mesmo não usa mais.
No final do ano de 1964, Paulinho ainda freqüentava a União de Jacarepaguá.
Oscar Bigode, diretor de bateria da Portela a quem Paulinho considerava como
primo, faz uma visita à escola. Acompanhado por outros integrantes da Portela,
Oscar então convida Paulinho para conhecer a famosa agremiação de Oswaldo Cruz.
No domingo seguinte, lá estava Paulinho na ala dos compositores da Portela,
apresentando a primeira parte de um samba. Sob os olhos de Monarco, Candeia,
Casquinha, Ventura e muitos outros, Paulinho canta sua composição. Casquinha,
logo em seguida, acrescenta uma segunda parte e nasce o samba “Recado”, o
primeiro de Paulinho na Portela, gravado pela primeira vez pelo conjunto A voz
do Morro em seu segundo disco.
Paulinho foi logo incorporado à ala dos compositores da Portela. Em 1965,
desfilou pela escola e em 1966 apresentou na quadra, para o carnaval, o samba
“Memórias de Um Sargento de Milícias”. A música foi escolhida para ser o samba
enredo da Portela naquele ano. A escola foi campeã do carnaval e o samba de
Paulinho recebeu dos jurados a nota máxima. Foi gravado por Martinho da Vila no
ano de 1971.
Paulinho já estava integrado à sua escola. Até hoje é reconhecido como um dos
grandes nomes da história da Portela.
Hermínio Bello de Carvalho escreveu e Kleber Santos dirigiu e produziu o
musical Rosa de Ouro no ano de 1965. O espetáculo revelou Clementina de Jesus,
com 63 anos, e trouxe de volta ao palco a figura lendária de Aracy Cortes, as
duas acompanhadas por Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Nelson Sargento,
Nescarzinho do Salgueiro e o próprio Paulinho. O Rosa de Ouro rendeu dois
discos. O primeiro, Rosa de Ouro, lançado pela Odeon no mesmo ano e o segundo,
Rosa de Ouro número 2, em 1967. O musical fez grande sucesso em diversas
cidades no país e no exterior.
As parceiras de Paulinho continuaram, e em 1966 é chamado para gravar ao lado
de Elton Medeiros o disco Na Madrugada. Lançado pela gravadora RGE, Na
Madrugada traz sucessos como: 14 Anos, Minhas Madrugadas, Recado, Jurar com
Lágrimas, Rosa de Ouro e O Sol Nascerá, esta última de Elton Medeiros e
Cartola. Ainda em 1966, Paulinho participa do festival de música brasileira da
TV Record com Canção para Maria, em parceira com Capinam, e fica em terceiro
lugar.
Em 1968, Hermínio Bello de Carvalho resolveu fazer uma surpresa a Paulinho e
inscreveu a música “Sei Lá Mangueira” na terceira edição do histórico festival
de música da TV Record. A letra de Hermínio, musicada por Paulinho, exaltava a
Mangueira, escola de samba rival à Portela. O fato causou preocupação em
Paulinho que não queria projetar a música temendo uma reação negativa dos
portelenses, mas isso é um caso diferente. O samba foi interpretado por Elza
Soares e Paulinho passou a ser olhado com certa desconfiança na Portela, mas o
compositor diz que nunca foi questionado por isso. A experiência do festival
deixou uma dívida para Paulinho que buscava inspiração para compor uma música
em homenagem à sua escola.
O primeiro disco solo aconteceu em 1968. Paulinho já tinha alguma projeção
devido a sua participação no espetáculo e no disco Rosa de Ouro, no disco Na
Madrugada, por suas músicas gravadas por Elizete Cardoso e Elza Soares, e
também pelo festival de música de 1966. A intenção do diretor musical da Odeon,
Milton Miranda, era contratar Paulinho para ser cantor, e não necessariamente
compositor, por isso que em seu primeiro disco solo, que leva o seu nome,
Paulinho canta poucas músicas suas. O período em que gravou na Odeon foi um dos
mais férteis de sua carreira. Teve início em 1968 e terminou em 1980. Foram
gravados nesta fase 11 discos.
Ainda em 1968, Paulinho inscreve “Coisas do Mundo, Minha Nega” na I Bienal do
Samba da TV Record. A música, que ficou em sexto lugar e foi defendida por Jair
Rodrigues, é seu samba preferido.
No ano de 1969, Paulinho venceu o último festival da TV Record com “Sinal
Fechado”. Tirou também, no mês de maio, o primeiro lugar na Feira Mensal de MPB
da TV Tupi com o samba “Nada de Novo” ao lado de “Que Maravilha” de Toquinho e
Jorge Bem. Meses depois, nessa mesma feira, lança o seu maior sucesso até hoje,
“Foi um Rio Que Passou em Minha Vida”, logo gravado num compacto com mais três
músicas suas: Sinal Fechado, Ruas que sonhei e Nada de Novo.
“Foi um Rio que Passou em minha vida” tornou-se o maior sucesso do ano de 1970.
Estourou em todo o país e projetou Paulinho nacionalmente. Finalmente foi a
resposta que a Portela esperava pelo samba “Sei Lá Mangueira”, lançado anos
antes. A resposta de Paulinho veio em forma de sucesso nacional e tornou-se um
hino de exaltação á sua escola de coração. Esta é a música mais lembrada de
toda a carreira do compositor e no ano de 2000 foi considerada uma das 30 mais
importantes músicas brasileiras da história pela maior rede de televisão do
país, a Rede Globo.
Em toda a década de 70, Paulinho gravou em quase todos os anos. Em dois
momentos, chegou a lançar dois discos num mesmo ano. Nesse período, criou
espetáculos como Sarau, Vela no Breu e Zumbido. Todos com grande sucesso de
público e crítica.
Em 1981, já como músico consagrado, Paulinho lança seu primeiro disco na
gravadora Warner, um ano depois lança A Toda Hora Rola uma História e em 1983 o
seu último disco nesta gravadora, Prisma Luminoso, um dos preferidos do autor.
Depois do lançamento deste disco, Paulinho não se sentiu mais motivado para
acompanhar as projeções das gravadoras e se “ajustar” as novas tendências. Era
impossível fazer samba através de modismos, assim como seu pai nunca havia
feito música para atender ao mercado. As gravadoras passaram a investir pesado
no chamado Rock Brasileiro, que ganhava força. Mesmo assim em 1984, por força
do público, surge uma nova geração de sambistas, fazendo um samba que ficou
conhecido como pagode. Aparecem artistas como Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola
Negra, Almir Guineto entre outros.
Paulinho não parou, apenas reduziu o ritmo e passou a fazer discos ainda mais
apurados. Em 1989, lança Eu Canto Samba, um disco que nasceu clássico e teve
excelente aceitação de público e crítica. Paulinho recebeu pelo disco quatro
troféus do prêmio Sharp daquele ano.
Nos anos 90, ocorreu um fenômeno interessante: Paulinho passou a ser
considerado tão sofisticado que apesar de fazer o mais puro samba era visto
como um músico muito especial para a grande massa. Afastou-se, desse modo, um
pouco de seu público original, não por vontade própria, mas devido a uma imagem
difundida na mídia. Em 1996, volta aos estúdios e grava aquele que foi considerado
um dos mais importantes discos de sua carreira, Bebadosamba. Este disco foi
recordista do prêmio Sharp de 1997, o maior evento do gênero na música
brasileira nos anos 90. Paulinho é um dos recordistas do prêmio com nove
troféus tendo participado com apenas dois discos.
Em 1997, Paulinho montou, com enorme sucesso, o espetáculo Bebadosamba, e
lançou mais dois discos gravados ao vivo: Bebadachama de 1997, e Sinal Aberto
de 1999, em parceria com Toquinho. Uma de suas mais recentes apresentações internacionais
foi em Paris, num festival em homenagem aos 500 anos do Brasil, onde se estimou
que o seu dia foi a maior lotação do espaço La Villete até então no ano de 2000
(4.700 pagantes).
A qualquer momento este artista de quase 40 anos de carreira pode aparecer com
um novo trabalho, reafirmando sua importância na música e na história da
cultura brasileira. Há sempre a necessidade de fazer mais. Muitos críticos
definem a obra de Paulinho da Viola como uma ponte entre a tradição e a
modernidade. Como ele mesmo diz: “Não vivo no passado, o passado vive em mim”,
e com ele recria sua música sem olhar pra trás.
A música de Paulinho da Viola representa um
universo particular dentro da cultura brasileira experimentá-la é reconhecer
que a identidade cultural brasileira não é a única, há sempre algo mais.
Anderson Silva Poeta.
IMAGENS - FOTOS
1945/46 - Paulinho (primeiro à esquerda) no quintal de sua casa ao lado da vizinha e do irmão Francisco.
1965 - Paulinho, Elton Medeiros e Clementina de Jesus em Rosa de Ouro.
1965 - Aracy Cortes, Paulinho, Nescarzinho do Salgueiro, Clementina de
Jesus, Elton Medeiros e Jair do Cavaquinho. Integrandos do espetáculo
Rosa de Ouro.
1969 - Paulinho, Nelson Sargento, Anescarzinho, Jair do Cavaquinho e Elton Medeiros em Rosa de Ouro.
1973 - Paulinho cumprimentando Cartola, uma de suas principais referências. Foto: Clóvis Scarpino.
VIDEOS
Paulinho da Viola - Arquivo -MPB BRASIL 1970
Apresentação do Conjunto Época de Ouro no Programa MPB Especial (Ensaio)
da TV Cultura no ano de 1973. O programa contou com participação ainda
do Paulinho da Viola
Paulinho da Viola - Ensaio - 2005 - Parte Final
Paulinho Da Viola - Fantástico2005
Velha Guarda da Portela & Paulinho da Viola
Paulinho da Viola e Velha Guarda da Portela no Som Brasil